Os Meios da
Graça
A Maneira de Crescer na Vida Cristã
(Uma adaptação da Obra de Earl Blackburn)
Quais são os
meios públicos da graça?
l. Reunir-se para adoração é o
primeiro destes meios.
Deus jamais tencionou que o verdadeiro crente vivesse sozinho. Após a ascensão de Cristo, os apóstolos saíram
por todo o mundo implantando igrejas e estabelecendo presbíteros em cada uma delas (At 14.23). Eles
fizeram isto, para que os crentes novos fossem fortalecidos,
encorajados, guiados, instruídos e, acima de tudo, adorassem a Deus
juntos. Deus, e não os homens, ordenou
que por intermédio da reunião coletiva, para adoração, o crente recebesse
bênção e ajuda divina para os dias
futuros. Reunido,
o povo de Deus receberia
não somente a bênção dEle, mas também se fortaleceria mutuamente. Os cristãos receberam a ordem de não abandonarem o reunirem-se para adoração pública (Hb l0.25).
Historicamente, as igrejas cristãs sempre adoraram no domingo. Foi no primeiro
dia da semana, o domingo,
que o Senhor
Jesus ressuscitou dos mortos e assegurou a ruína do domínio de Satanás. Cinqüenta dias após a ressurreição
de Cristo, no Pentecostes, novamente no primeiro
dia da semana,
o Espírito Santo veio sobre os crentes para
enchê-los de poder. Desde então, os cristãos se reúnem aos domingos, o primeiro, o melhor e mais admirável dia da semana, para adorar o primeiro,
o melhor e mais admirável
dos seres, o SENHOR Deus dos Exércitos e seu Filho,
Jesus Cristo (At 20.7; 1Co l6.2).
Os elementos da adoração pública são: leitura pública das Escrituras, acompanhada de pregação e ensino;
cantar salmos, hinos e cânticos espirituais; ofertas e orações. Na leitura e
exposição das Escrituras, Deus fala conosco; nos cânticos, ofertas e orações, nós falamos com Ele. Ainda que esses dois elementos
da adoração são importantes, o mais
relevante deles é a pregação da Palavra.
Nossos pais entenderam isto, quando escreveram:
“O Espírito torna a leitura
(em especial, a pregação da Palavra)
o meio eficas de convencer e converter os pecadores, edificando-os em santidade
e conforto”. (Brete Catecismo de Westminster, pergunta 89)
2 - O segundo meio
público da graça são as ordenanças do evangelho.
Uma ordenança é um costume
e prática iniciada
pelo Senhor Jesus Cristo, enquanto
Ele esteve na terra. Nas verdadeiras igrejas
do Senhor Jesus, há apenas
duas ordenanças: o batismo e a ceia do Senhor.
O batismo é a primeira
ordenança instituída pelo Senhor Jesus Cristo,
enquanto esteve entre os homens. Ele ordenou que o batismo fosse realizado por
seus apóstolos e igrejas até
ao fim do mundo (cf.
Mt 28.l8- 20). Uma pessoa que declara ser crente e negligencia o batismo,
a primeira ordenança de Cristo, não tem o direito
de chamar-se de cristão. O batismo deve ser realizado por completa
imersão na água, em nome do Pai, do
Filho e do Espírito Santo.
O batismo sempre foi aplicado
àqueles que se arrependeram e creram
e para aqueles que foram convertidos e salvos.
O batismo é reservado somente para os crentes. Não é para pequenas
crianças descrentes. Não existe uma única instância de batismo infantil
no Novo Testamento. O batismo sempre
foi aplicado àqueles que se arrependeram e creram e para aqueles
que foram convertidos e salvos (veja Atos 2.4l;
l8.8). Esta ordenança foi designada
a ser um testemunho para o mundo,
a fim de demonstrar que somos seguidores de Cristo e fortalecer nossa decisão de segui-Lo.
A ceia do Senhor é a segunda ordenança instituída
pelo Senhor Jesus, enquanto
esteve na terra. É o meio divinamente designado para fortalecer
a fé exercida
pelos crentes. A ceia do Senhor não é um sacrifício oferecido a Deus, e sim apenas uma comemoração daquela
oferta que Cristo fez de si mesmo, uma
vez por todas, na cruz, em pagamento dos nossos
pecados. Sempre que participamos da
ceia do Senhor, nós o fazemos em memória dEle (l Co ll.24-26).
Os elementos da ceia do Senhor,
pão e vinho, são apenas símbolos. Cada elemento representa um diferente aspecto
do sacrifício de Cristo.
O pão simboliza o corpo traspassado e morto do Salvador, por causa de nossos pecados. O vinho representa o sangue de Cristo
que foi derramado
a fim de purificar nossos pecados. Não existe nada mágico no pão e no vinho. Eles não se alteram,
tornando-se literalmente o corpo e o sangue
de Jesus; permanecem aquilo que eles mesmos são.
Um cuidadoso estudo
das Escrituras demonstra as exigências para se participar da ceia do Senhor. A pessoa tem de ser
verdadeiramente convertida a Cristo, batizada, alguém que está procurando andar
de maneira agradável a Deus e membro de uma das igrejas de Cristo.
Devemos lembrar que esta ordenança
não foi dada a indivíduos, e sim a igrejas locais e seus membros.
3 - Comunhão
com irmãos e irmãs em Cristo é o terceiro meio público da graça.
O povo de Deus procede
de todos os tipos de pessoas. Todavia, existe algo que os une: em Cristo,
eles são um! Cristo os amou com amor eterno e os atraiu com bondade.
Todos os obstáculos foram removidos ante à eleição, à redenção e ao salvífico amor de Cristo (ver Ef
2.l4-l6).
Comunhão significa "compartilhar juntos” ou "vida compartilhada”, especialmente quando esta se relaciona aos outros crentes. Quando Cristo nos salvou, Ele
não tencionava que vivêssemos isolados. Ele nos destinou
para sermos parte de uma de suas igrejas e desfrutarmos comunhão com outros crentes
(cf. At 2.4l-42). Uma das mais profundas verdades que compreendemos após a conversão é o vínculo
que temos com os verdadeiros crentes.
Comunhão não significa
reunir-se com outros crentes para falar sobre
esportes, diversões, clima, economia
ou política, embora não exista qualquer prejuízo em fazermos isso.
Pelo contrário, comunhão é compartilhar, de coração,
uns com os outros, as coisas do Senhor
Jesus e de sua Palavra. A singularidade da comunhão cristã se encontra
em sermos capazes de conversar e compartilhar, juntos, as alegrias, a felicidade, as vitórias, os problemas, as tentações, as tristesas e as bênçãos de nosso andar com Deus. Provérbios
27.l7 afirma: "Como o ferro com o ferro
se afia, assim, o homem, ao
seu amigo”. Desfrutar comunhão
com irmãos e irmãs em Cristo, em uma igreja local, é semelhante ao
"ferro” afiando o "ferro”; é o meio da graça que nos mantém espiritualmente
saudáveis e vigorosos.
4 - O quarto meio público
da graça é a oração coletiva (At 2.42).
As igrejas primitivas não somente permaneciam na doutrina dos apóstolos, na ceia do Senhor e na comunhão,
também perseveravam na oração juntos. As reuniões
da igreja, a fim de orar,
era um dos meios
de levar as cargas uns dos outros
e cumprir a lei de Cristo (Gl 6.2). No livro de Atos, há diversos exemplos
dos irmãos orando
juntos, na igreja
primitiva. No dia de Pentecostes, o que os crentes estavam
fazendo? Orando (At l.l2-l4; cf. 2.l). Através da oração coletiva, a igreja contemplou o Senhor Deus
libertando-a das mãos de seus inimigos (4.23- 33). Pedro
foi liberto da prisão porque
os crentes estavam
juntos em oração a favor dele (l2.5). A história das igrejas do Novo Testamento ilustra a bênção
e a necessidade de orarmos
juntos.
Tudo o que é verdadeiro a respeito da oração particular também é verdadeiro sobre a oração
pública, exceto que esta se realiza coletivamente. Se Deus está com seu povo e individualmente os abençoa com sua presença, quanto mais isto acontece
ao se reunir a igreja para oração coletiva. Se Ele ouve
e responde as orações de um crente,
quanto mais ouvirá e atenderá as orações de muitos?
Um Puritano, David
Clarkson, disse: "A
presença de Deus, desfrutada
em oração particular, assemelha- se apenas a um regato, mas na oração coletiva torna-se como um rio que alegra
a cidade de Deus”.
Um Pai amoroso, sábio e gracioso, que habita nos céus, outorgou aos seus filhos estes meios para o bem deles (cf. Dt l0.l3). Ele não os deu a fim de colocar seus
filhos em escravidão a regras estabelecidas pelo homem, mas para abençoar,
fortalecer e encorajá-los. Os meios particulares da graça nos foram concedidos para sustentar-nos em nossa
vida cristã diária, em um mundo de
atividades cotidianas. Os meios públicos da graça são para nosso benefício, na
igreja local pertencente ao Senhor Jesus
Cristo. Praticá-los agora resultará em crescimento e frutificação de nossa vida
cristã. Utilizar estes meios designados
por Deus redundará em glória para
Ele, expansão de seu reino e nos proporcionará retidão, pas e alegria.
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Os cristãos devem penetrar no mundo, sem se tornar
parte dele.
John
Blanchard

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